quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sobre a Opinião Alheia


Que te importa se todos te vaiam se tu mesmo te aplaudes ?- Erasmo de Rotterdam

1- Oh, a opinião alheia. É incrível como o ser humano pouco se importa com a própria opinião e prefere confiar no julgamentos de terceiros sobre a sua pessoa. Isso é ridículo, mas não possui escapatória. A culpa, como quase sempre, é da sociedade, que não valoriza o indivíduo quando precisa.
2- A hipocrisia máxima é a do julgamento precipitado. Como definir opiniões de alguém que mal se conhece? Podemos ter impressões, e as temos, mas não opiniões. O problema é que após formarmos tal opinião é quase impossível reiterá-las e perceber que elas são errôneas. Se uma pessoa é tida como "chata", ela vai permanecer "chata"- mesmo que ela mude.
3- E se as pessoas acharem que você é terrivelmente chato e enfadonho? Você vai mudar totalmente quem você é para ser considerado descolado? Por que as pessoas insistem em mudar por causa da opinião alheia, e não por causa da própria opinião? Até porque, opiniões são relativas. O que é um martírio e uma tortura para uns, é prazer e deleite para outros.
4- Aliás, o que é ser "legal"? Ouvir as músicas da moda? Vestir as roupas da moda? Falar as gírias da moda? Sim, num conceito para mentes medíocres, isso é ser "legal". Mas para aqueles que possuem a mente um pouquinho mais expandida, sabem que ser "legal" é justamente ter as próprias idéias. Gostar de algo realmente por gostar, e não para se sentir encaixado numa maioria.
5- Maioria... Nem sempre as pessoas em maior número estão com a razão ou com a atitude apropriada. A "maioria" dos jovens, por exemplo, não sabem enfrentar as conseqüências de seus atos, exageram em bebidas alcoólicas- que sabem que causam danos à saúde- e possuem comportamento irresponsável só para se sentirem incluídos. Isso é o que a maioria faz. E só por causa disso você tem que simplesmente agir de um modo que você acha errado só para autoexibição? Não.
6-O que a sociedade não entendeu, não entende e não entenderá é que a melhor saída, para tudo, é ter opinião própria. E que a opinião alheia que vá às favas.



sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Antidotuma



Geração famigerada
Informalidade trocada por vulgaridade
Meninas chorando, sujas e sangrando
Suas bocas em falsos instrumentos de masculinidade
Humilhações que enchem o estômago
E destróem a alma

Ambiciosos gananciosos
De terno e gravata, verdadeiros cavaleiros
Imundos em sua limpeza nobre
Mestres da sujeira, ratos escandinavos vestidos de ouro
Fazem todo o sistema límpido cair
O sistema pérfido ressurge, queimando os poucos valores existentes

O antídoto é raro, beirando à inexistência
Escalar a mais alta das montanhas não lhe trará resultado
A guerra das guerras, o embate dos embates
Escondido entre os panos da falsa harmonia e falsa misericórdia
Beijos de fel oscilando entre prisões de mel
Antídoto não há. Apenas o barulho das dobradiças enferrujadas...



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

La déchirure étouffer la rose*

Leia a minha mente lacrimosa

E talvez um dia você entenda

Porque o espinho nasce na rosa



Eu poderia tentar te convencer

De que sou sua melhor opção

Mas então não saberia se fiz por merecer



Seja bem vindo ao mundo onde falta tudo

Falta amor, carinho e compreensão

Falta palavras; aqui qualquer sentimento é mudo



Se afaste de mim; me abandone!

Me deixe numa ilha deserta

Com nada além do meu nome



Será melhor para seu mundo perfeito

Onde a mínima imperfeição não toma lugar

Caso eu vivesse neste seu mundo, ele seria o meu leito...



Link da imagem: http://sandra-h.deviantart.com/art/Thorns-of-a-rose-78409198





* A Lágrima Asfixia a Rosa

O Início - A Queda

No começo só havia o vazio, transbordando com infinitas possibilidades das quais uma delas... é você. - William Arntz

Minha história não começou num belo dia de verão
Nem ao menos numa noite chuvosa de inverno
Ou numa tarde solitária de outono
E não ouse mencionar a primavera...

Quando não havia mais nada a ser construído ou destruído;
Quando a esperança perdeu todas as suas nuances;
Quando o tempo deixou de ser determinante,
Ocorreu o que se esperava...

Pedra por pedra, lágrima por lágrima
Construí meu castelo particular, me opondo a tudo o que conhecia
Muralhas fortificadas, paredes intransponíveis
Deveriam me proteger de qualquer ameaça!

Mas elas caíram em cima de meu invólucro,
Caíram do mesmo jeito que os delicados flocos de neve atingem o chão,
Colorindo de branco a tímida paisagem.
Caíram, continuam a cair, cairão...


~Larissa Magdaleno~ 2009