O outono era a estação que Kathryn mais gostava. Era a estação que sucedia o verão não muito quente de Londres, e precedia o inverno rigoroso. Era ameno, e as folhas caíam suavemente. Quando fez quinze anos, ela conseguia traçar muitos paralelos entre si mesma e as folhas caídas ao chão. Tanto a folha como Kathryn, tentavam manter-se nas árvores, mas o vento sempre era mais forte e elas acabavam no chão, sendo pisoteadas. Não era um paralelo muito feliz, ela pensava com infelicidade. Mas era a verdade crua.
Quinze anos e nada mudara. A sra. Stratford continuava sendo uma mulher cruel, que ao calar da noite guardava livros de conduta duvidosa, e passava a noite em claro lendo-os. Veronica continuava puxando o saco de todas as autoridades no orfanato e criara seu próprio "exército", no qual se juntara a várias meninas com o intuito de denunciar irregularidades que as autoridades não tinham percebido. Ou seja, denunciar absolutamente tudo o que Kathryn fazia, mesmo que não fosse irregular.
O corpo dela já estava cheio de finas cicatrizes, resultado do poderoso chicote de Chikatilo. Fora os inúmeros maus-tratos que a sra. Stratford fazia questão de colocar em prática. Kathryn já havia perdido as contas de quantas vezes ficara na solitária, sem comer nem beber. Era magra, pois nunca comia o suficiente.
As vozes continuavam a reverberar em sua cabeça, cada vez mais fortes, poderosas e assumindo um controle maior sobre seus atos. Muitas vezes, Kathryn se via em becos sem saída e lugares nos quais ela não se lembrava de ter ido; sentia a sensação constante de ser perseguida e de que alguém conspirava contra ela. O que não era cem por cento mentira; ninguém parecia gostar da presença da menina no orfanato.
Veronica e suas subordinadas, por assim dizer, um dia se aproximaram de Kathryn. O que não é nenhuma novidade. A diferença era na maneira da aproximação.
-Oi Kathryn - disse Veronica, chupando um pirulito da forma mais indecente possível.
-Oi - respondeu Kathryn, acenando timidamente com a cabeça, ocupada no livro que lia.
-Você recebeu um bilhete - continou Veronica. - E um bilhete de um menino do Instituto!
O "Instituto para Meninos com Altas Habilidades " era exatamente o que o nome sugeria. Meninos órfãos que logo demonstravam ser excepcionais ou superdotados, eram levados para o Instituto, onde desenvolviam ainda mais suas habilidades e competências. Ele ficava exatamente do outro lado da rua do Orfanato, e as meninas eram expressamente proibidas de visitarem os garotos do Instituto - isso era considerado distração inapropriada para os meninos. Mas é claro que ninguém respeitava essa regra - principalmente Veronica, que mais passava tempo no Instituto do que no próprio Orfanato.
-Veronica, por favor, já cansei das suas brincadeiras de péssimo gosto - disse Kathryn, fechando o livro.
-Se fosse brincadeira, eu não teria recebido uma garrafa de vodka - respondeu Veronica, séria. - E se você for até lá, eu vou receber outra. Então é melhor você e esse seu cabelo ruim andarem até o Instituto agora. Não é todo dia que eu posso receber duas garrafas!
-Eu não acredito em você.
-Olha aqui - disse Veronica, levantando Kathryn pelo colarinho do vestido - Eu sei que eu te ferrei a vida inteira, e não pretendo parar tão cedo. Você é chata, idiota, ridícula e tem o cabelo mais feio que eu já vi. Mas neste momento eu quero que você acredite em mim. Um cara do Instituto se interessou por você, seja lá qual for a razão dele. E ele te quer, e te quer agora, e se você continuar com esse papo de que não acredita em mim, eu chuto o seu traseiro magro até a porra do Instituto.
Depois de pularem grades e muros, Kathryn e Veronica avistaram dois garotos no jardim do Instituto. Era completamente diferente do Orfanato. O Instituto tinha jardins bem cuidados, instalações grandes e imponentes, com precisão arquitetônica exemplar. Os garotos vestiam-se muito bem; o uniforme era extremamente bem-cortado e caía no corpo de cada um como uma luva. Um deles era ruivo, com várias sardas dispostas em seu rosto, e de baixa estatura. O outro, era alto e seu cabelo era vivamente loiro. Kathryn pediu internamente para que o seu "admirador secreto" fosse o loiro; e ela estava certa. Veronica se aproximou do loiro, que lhe deu um pacote marrom. "Vodka, no mínimo", pensou Kathryn, que novamente estava certa. O que a surpreendeu foi a maneira com que Veronica se aproximou do garoto ruivo. Ela o beijou ferozmente, como se o mundo fosse acabar naquele instante. Ela sorriu, e disse:
-Divirtam-se. - e saiu de mãos dadas com o ruivo.
-Então você veio - disse o menino loiro. Seu rosto parecia ter sido esculpido por um artista do Renascimento. Era científica e divinamente perfeito.
"Como se Veronica tivesse me dado opção", pensou Kathryn. - Sim, eu vim - ela sorriu, desajeitadamente.
-Eu me chamo Ewan e...
-Como você me viu? - disse Kathryn, repentinamente sem ao menos deixar Ewan terminar.
-Eu te vi? - ele parecia genuinamente confuso.
-Enquanto eu vinha para cá, Veronica disse que você me viu e... sei lá.
-Nunca mais vou dar vodka para aquela garota - disse ele, rindo - Então ela não te contou que a culpa é dela. Jude estava se vangloriando que estava pegando a menina mais bonita do Orfanato, e eu duvidava que a Veronica fosse a mais bonita. E ela mesma disse que não era. Que tinha uma mais bonita. E no dia seguinte, trouxe uma foto sua. E... sei lá, como você mesma disse.
Kathryn sentiu o mundo rodopiar loucamente, e pensou por vários segundos que não conseguiria respirar nunca mais. Quando ela deu por si, conseguia um ângulo exato e perfeito dos cílios de Ewan. Algo no corpo dele a induzia para mais perto, como se ele fosse o pólo negativo e ela o positivo. Era mais forte do que qualquer sensação que ela já conhecera antes. O corpo dela berrava por uma aproximação rápida, algo que a fizesse parar de respirar para sempre. Ewan a encarava, como se propusesse um desafio que Kathryn, num impulso, aceitou. Ela encostou seus lábios nos dele, e quando ele a beijou de volta, ela sentiu borboletas correndo em suas veias.
-Divirtam-se. - e saiu de mãos dadas com o ruivo.
-Então você veio - disse o menino loiro. Seu rosto parecia ter sido esculpido por um artista do Renascimento. Era científica e divinamente perfeito.
"Como se Veronica tivesse me dado opção", pensou Kathryn. - Sim, eu vim - ela sorriu, desajeitadamente.
-Eu me chamo Ewan e...
-Como você me viu? - disse Kathryn, repentinamente sem ao menos deixar Ewan terminar.
-Eu te vi? - ele parecia genuinamente confuso.
-Enquanto eu vinha para cá, Veronica disse que você me viu e... sei lá.
-Nunca mais vou dar vodka para aquela garota - disse ele, rindo - Então ela não te contou que a culpa é dela. Jude estava se vangloriando que estava pegando a menina mais bonita do Orfanato, e eu duvidava que a Veronica fosse a mais bonita. E ela mesma disse que não era. Que tinha uma mais bonita. E no dia seguinte, trouxe uma foto sua. E... sei lá, como você mesma disse.
Kathryn sentiu o mundo rodopiar loucamente, e pensou por vários segundos que não conseguiria respirar nunca mais. Quando ela deu por si, conseguia um ângulo exato e perfeito dos cílios de Ewan. Algo no corpo dele a induzia para mais perto, como se ele fosse o pólo negativo e ela o positivo. Era mais forte do que qualquer sensação que ela já conhecera antes. O corpo dela berrava por uma aproximação rápida, algo que a fizesse parar de respirar para sempre. Ewan a encarava, como se propusesse um desafio que Kathryn, num impulso, aceitou. Ela encostou seus lábios nos dele, e quando ele a beijou de volta, ela sentiu borboletas correndo em suas veias.

